Trinta anos depois de The Score mudar o jogo do hip-hop mundial, ver Lauryn Hill e Wyclef Jean dividindo um palco no Rio de Janeiro não foi apenas um show — foi um ato de fé no poder da música. A Enseada de Botafogo parou na noite do último sábado (6) para o Global Citizen Live Rio, e quem estava lá vai carregar essa memória por muito tempo.
A noite começou com Ludmilla aquecendo a plateia e provando, mais uma vez, por que ela é uma das maiores ao vivo do Brasil hoje. Quando Ms. Hill subiu ao palco — com cerca de 30 minutos de atraso, nada que a energia do público não absorvesse — a Enseada já estava no limite da euforia.
Quando o passado e o presente se encontram num palco à beira da Baía
A entrada de Wyclef Jean foi o momento que parou o tempo. Juntos, os dois celebraram os 30 anos de The Score com ‘Ready or Not’, ‘Fu-Gee-La’ e ‘Killing Me Softly’ — clássicos que soaram tão urgentes quanto em 1996. Pras Michel, terceiro Fugee, segue fora dos palcos por questões judiciais, mas sua ausência não diminuiu o peso histórico do reencontro.
O show ganhou uma camada ainda mais especial com a presença de YG Marley e Zion Marley, filhos de Rohan Marley — que viveu mais de uma década ao lado de Lauryn — no palco com a mãe. A conexão entre eles era visível, e o legado de Bob Marley pulsava em cada acorde. Ms. Hill ainda revisitou The Miseducation of Lauryn Hill (1998), um dos álbuns mais importantes já gravados por qualquer artista, com ‘Doo Wop (That Thing)’ e ‘Ex-Factor’ arrancando coro da multidão.
Em determinado momento, Lauryn olhou para o público carioca e soltou um ‘amo vocês’ em português. Simples assim. O Rio correspondeu na mesma moeda — e com juros.
Se você estava lá, guarda bem essa noite. Se ficou de fora, que isso sirva de lembrete: tem shows que não cabem em vídeo de celular. O Global Citizen Live Rio provou que música ao vivo ainda é o maior instrumento de transformação que existe.