O samba nasceu no colo das mulheres. Lá na casa de Tia Ciata, no Rio do início do século XX, o ritmo resistiu à marginalização e virou a maior potência cultural do Brasil. A gente sabe disso. Mas nem sempre esse legado recebe o tributo que merece — e é exatamente aí que entra Karinah.
A cantora, que trocou o Sul pelo Rio de Janeiro e rapidamente conquistou o respeito dos maiores nomes do gênero, anuncia o projeto ‘Karinah Canta As Damas do Samba’: uma turnê itinerante — que vai virar álbum no segundo semestre — em reverência a oito entidades da nossa música. Elza Soares, Beth Carvalho, Alcione, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra e Clara Nunes. Nomes que não se discutem.
‘Cantar para mim é missão. Cantar samba para mim é devoção. E homenagear as mulheres que pavimentaram o chão que hoje eu piso com humildade é a minha paixão.’ — Karinah
Encontro de gigantes no Blue Note — com a Banda que foi de Beth Carvalho
A estreia acontece em São Paulo, no Blue Note SP, no dia 18 de junho. E já de cara: Karinah divide o microfone com Leci Brandão, uma das grandes homenageadas da noite. Para além da linha de frente, o que chama atenção é a base: a Banda da Madrinha, grupo que acompanhou Beth Carvalho por anos, estará no palco sob a direção musical de Carlinhos 7 Cordas. Isso não é detalhe — é declaração de intenção.
O repertório é uma viagem afetiva para qualquer fã de samba de verdade. Tem Se Acaso Você Chegasse (na voz de Elza), Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço (Dona Ivone Lara), Água de Chuva no Mar (Beth Carvalho) e Isso é Fundo de Quintal (Leci Brandão). Clássicos que a gente sabe de cor e que ganham novo peso quando cantados por quem entende o que eles significam.
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Depois de SP, no dia 3 de julho, é a vez do Rio de Janeiro receber o espetáculo no Blue Note Rio, em Copacabana — com uma participação especial ainda secreta que promete agitar. Já anota na agenda.
A trajetória de Karinah dentro do samba não deixa dúvida sobre o peso que ela carrega. Dona Ivone Lara uma vez disse a ela:
‘Chega com o coração no miudinho que dá certo, seu canto é bonito.’ — Dona Ivone Lara
Zeca Pagodinho, ao descobrir seu talento, foi além e assinou a produção do álbum Meu Samba (2025) com uma promessa que arrepia:
‘Vou fazer por você o que Beth Carvalho fez por mim!’ — Zeca Pagodinho
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Alcione a convidou para abrir a turnê de 50 anos de carreira. Neguinho da Beija-Flor a chamou para puxar a escola na avenida. E hoje ela é musa e madrinha de projetos sociais na Estação Primeira de Mangueira. Não é à toa que esse projeto existe — e faz todo sentido que seja ela a fazê-lo.
O primeiro single do álbum chega ainda no segundo semestre: ‘Você Passa Eu Acho Graça’, clássico de 1968 na voz de Clara Nunes — a mesma música que, ainda na infância, despertou o amor de Karinah pelo samba. A história se fecha em círculo, do jeito mais bonito possível.
Dois shows. Oito gigantes homenageadas. Uma cantora com missão declarada. Não faz sentido não estar lá.
Serviço
🎵 KARINAH CANTA AS DAMAS DO SAMBA — SÃO PAULO
Convidada especial: Leci Brandão
📍 Blue Note São Paulo — Av. Paulista, 2073, Consolação
📅 18 de junho de 2026, às 22h30 (abertura às 19h)
🎟️ A partir de R$ 70 (meia) / R$ 140 (inteira) — Eventim SP
🎵 KARINAH CANTA AS DAMAS DO SAMBA — RIO DE JANEIRO
Participação especial a confirmar
📍 Blue Note Rio — Av. Atlântica, 1910, Copacabana
📅 3 de julho de 2026, às 22h30
🎟️ A partir de R$ 60 (meia) / R$ 120 (inteira) — Eventim RJ