Tem noites que um show vai muito além do setlist. A gente que vive o universo do punk melódico sabe que ver o nome No Use For A Name aparecer no contexto do Foo Fighters é quase irreal — e foi exatamente isso que aconteceu durante a atual turnê europeia da banda.

Em Oslo, na Noruega, Dave Grohl e companhia trocaram os solos instrumentais de apresentação dos integrantes por algo bem mais especial: cada membro foi às raízes musicais que o formaram. E foi aí que Chris Shiflett pegou o microfone, encarou a arena e entregou uma performance de ‘Invincible’, hino absoluto do No Use For A Name.

De Fat Wreck Chords para os palcos do mundo: a história que poucos contam

Antes de entrar para o Foo Fighters em 1999 e gravar One By One, Shiflett foi peça central na cena punk californiana. Entre 1995 e 1999, ele era o guitarrista do NUFAN — e esteve presente em dois álbuns cruciais pela Fat Wreck Chords: Making Friends (1997), que traz justamente ‘Invincible’, e More Betterness! (1999). Não foi um capítulo menor da carreira. Foi a escola que moldou o músico que Dave Grohl escolheu para o seu lado.

A apresentação de Shiflett não foi apenas um aceno ao próprio passado — foi uma homenagem direta ao legado do No Use For A Name e à sonoridade que ajudou a definir o Hardcore Melódico.

Para os fãs do estilo, o peso do momento vai além da nostalgia. Tocar uma música do NUFAN em um palco de arena é também uma forma de honrar Tony Sly, o lendário vocalista e principal compositor da banda, que nos deixou em 2012 e levou junto as atividades do grupo. Seu impacto segue sendo celebrado — e noites como essa em Oslo provam que o legado dele vive em lugares que nem ele imaginaria.

Quer ver Shiflett em ação com sua antiga banda? Confira o show completo do No Use For A Name no Bizarre Festival de 1998 — exatamente a época em que ele dividia o palco com Tony Sly:

▶ Assista: No Use For A Name no Bizarre Festival 1998

Se você ainda não conhecia esse capítulo da história do Foo Fighters, agora você não tem desculpa. E se já conhecia — bem-vindo ao clube de quem sentiu o coração apertar em Oslo sem nem estar lá.